De onde vem o dinheiro: as três formas de cobrar
Existe uma ideia errada de que o dono do app ganha com a corrida. Ele não ganha: quem faz a corrida é o motorista, e o dinheiro do passageiro é do motorista. O que o dono ganha é a taxa por usar a plataforma que arrumou aquele passageiro.
Essa taxa pode ser cobrada de três jeitos, e dá para misturar os três no mesmo app, por categoria:
Porcentagem por corrida
O jeito mais comum, entre 10% e 20% em cidades pequenas e médias. O sistema calcula sozinho, corrida a corrida, e desconta do saldo do motorista. Vantagem: quem roda pouco paga pouco, e o motorista novo não se assusta.
Plano semanal ou mensal
Valor fixo por motorista, com corrida ilimitada. É o modelo que mais agrada motorista experiente, que roda muito e odeia ver a porcentagem subir. Vantagem para você: receita previsível, que não depende do movimento da semana.
Crédito pago adiantado
O motorista compra crédito antes de rodar e o sistema vai descontando. Quem fica sem crédito é bloqueado automaticamente, sem você precisar cobrar ninguém. É o que mais reduz calote em cidade onde todo mundo se conhece.
Nada disso passa por nós: o que você cobra do motorista é seu por inteiro. A AppEm7 não fica com percentual de corrida.
A conta, de verdade
Vamos usar um cenário conservador de cidade do interior: 25 motoristas ativos, 6 corridas por dia cada um, 26 dias no mês. Isso dá 3.900 corridas no mês.
Com corrida média de R$ 14 e comissão de 15%, a comissão bruta fica em R$ 8.190. O custo da plataforma é R$ 327, a mensalidade de R$ 327, fixa: não muda com o número de corridas.
Sobram os custos que são seus e variam com o tamanho da operação: divulgação, alguém para atender motorista no WhatsApp, e o tempo que você gasta. No começo, quase tudo isso é o seu próprio tempo.
| Item | Mês |
|---|---|
| Corridas no mês | 3.900 |
| Comissão bruta (15%) | R$ 8.190 |
| Custo da plataforma | - R$ 327 |
| Sobra antes da divulgação | R$ 7.863 |
Números de exemplo, não promessa. Mude o ticket para R$ 10 ou a comissão para 12% e a conta muda. O simulador da página inicial refaz tudo com os seus números.
O número que decide tudo: motorista ativo
Toda a conta acima é o produto de dois números: quantos motoristas estão rodando e quantas corridas cada um faz. E os dois se puxam. Passageiro que abre o app e não acha carro não abre de novo; motorista que fica online sem receber chamada desliga o app.
É por isso que a primeira fase de uma operação nova não é sobre propaganda para passageiro, é sobre motorista. Com 5 motoristas o app funciona, mas o passageiro espera. Com 20 a 30 numa cidade pequena, o tempo de espera cai a ponto de a pessoa parar de chamar pelo WhatsApp e passar a chamar pelo app.
- Menos de 10 motoristas: dá para testar, mas a espera afasta passageiro.
- 20 a 30 motoristas: o ponto em que a coisa começa a se sustentar sozinha em cidade pequena.
- 50 ou mais: a operação vira rotina e o crescimento passa a vir de indicação.
O que come o lucro sem você perceber
Três coisas derrubam a receita de um app de corridas, e nenhuma delas é o preço da plataforma.
Corrida combinada por fora
O motorista pega o passageiro pelo app uma vez e passa o telefone. Da segunda vez em diante, a corrida acontece fora do sistema e a sua comissão some. Resolve-se com regra clara, com histórico dentro do app e com o passageiro tendo motivo para continuar no aplicativo, como cupom e crédito.
Calote de motorista
Comissão que vira dívida e nunca é paga. O jeito de acabar com isso é não deixar a dívida existir: crédito adiantado ou bloqueio automático a partir de um limite, os dois já no sistema.
Comissão por corrida cobrada pela plataforma
Se a empresa que fornece o seu app fica com um valor de cada viagem, esse custo cresce exatamente quando você cresce. Nas contas acima, R$ 0,80 por corrida seriam mais de R$ 3 mil por mês saindo da operação.