Por que motorista vem antes de passageiro
Todo app de corrida é um mercado de dois lados, e os dois lados se puxam. Passageiro só volta se tem carro disponível; motorista só fica online se recebe chamada. Como você não pode ter os dois ao mesmo tempo no primeiro dia, precisa escolher por qual começar.
Comece por motorista, sempre. É mais fácil convencer 20 motoristas do que 2 mil passageiros, e o motorista traz passageiro junto: cada um deles tem clientes fixos que hoje chamam por WhatsApp.
Divulgar para passageiro antes de ter motorista é a forma mais cara de queimar a primeira impressão da cidade.
Onde eles estão (em ordem de facilidade)
Você não precisa procurar motorista, precisa lembrar de quem já é. Esta é a ordem que dá resultado mais rápido:
- Quem já faz corrida particular na cidade, combinada por WhatsApp. É o público mais fácil: ele já faz o serviço, só não tem sistema.
- Ponto de mototáxi e ponto de táxi. Vá pessoalmente, no meio da tarde, quando o movimento está parado.
- Grupos de WhatsApp e Facebook de motorista de aplicativo da região.
- Quem dirige para os aplicativos grandes na cidade vizinha e mora na sua.
- Motorista escolar, van e frete: são os que aceitam entrar como categoria nova.
- Indicação dos que já entraram. A partir do décimo cadastro, essa vira a fonte principal.
O que falar: a conversa que converte
Motorista já ouviu promessa demais. O que funciona é falar do bolso dele em três frases e mostrar o app funcionando no seu celular, ali na hora.
Estes são os quatro argumentos que ganham a conversa, em ordem de peso:
1. A comissão é menor, e você diz o número
Se os aplicativos grandes ficam com uma fatia grande de cada corrida e você fica com 12%, diga isso de forma direta. Faça a conta na frente dele com uma corrida de R$ 15: quanto sobra lá, quanto sobra aqui.
2. O dinheiro é dele na hora
Na maior parte das operações locais o passageiro paga em dinheiro ou Pix direto ao motorista, e a sua comissão é acertada depois. Para quem roda para viver, receber no mesmo dia vale mais do que qualquer bônus.
3. Tem gente da cidade para resolver
Bloqueio injusto sem ninguém para reclamar é a maior dor de quem dirige para aplicativo grande. Você atende no WhatsApp e conhece o cara. Isso não tem preço e não dá para copiar.
4. O passageiro dele continua sendo dele
O motorista com clientela fixa tem medo de perder cliente para o app. Deixe claro que o app organiza o que ele já faz e traz corrida nova nas horas vagas.
Mensagem pronta para o WhatsApp
Para mandar um a um, nunca em lista de transmissão fria. Troque o que está entre colchetes:
Oi [nome], aqui é o [seu nome], de [cidade]. Estou colocando no ar um aplicativo de corridas daqui da cidade mesmo, e estou chamando primeiro quem já roda. A comissão é de [12%] por corrida, o dinheiro do passageiro fica com você na hora e quem atende quando dá problema sou eu, pelo WhatsApp. Posso te mostrar como funciona em 5 minutos, hoje ou amanhã?
Duas regras: mande do seu número pessoal e responda rápido. Motorista que espera três horas por resposta já entendeu como vai ser o seu suporte.
Cadastro feito junto com ele, na hora, vale por dez cadastros prometidos para depois.
Os erros que esvaziam a base na segunda semana
Conseguir 20 cadastros é a parte fácil. Manter 20 rodando é onde a maioria erra, e quase sempre pelos mesmos motivos.
- Cadastrar todo mundo de uma vez e não avisar quando começa. O motorista instala, não recebe chamada nenhuma e desinstala.
- Ligar o app numa quarta de manhã. Comece numa sexta ou sábado à noite, quando existe demanda de verdade.
- Prometer volume que a cidade não tem. Prometa pouco: a primeira semana é teste, e falar isso na cara aumenta a confiança.
- Deixar preço de corrida baixo demais para agradar passageiro. Motorista some, e sem motorista não há preço que salve.
- Não ter um grupo dos motoristas no WhatsApp. Esse grupo é o seu canal de operação e a sua fonte de problema resolvido cedo.